Retrabalho no marketing: alterações consomem 69 horas por mês

Publicado por Deskfy

O retrabalho no marketing faz parte da rotina de muitas equipes, mas nem sempre fica claro quanto ele representa na operação. O levantamento aponta que uma a cada 6 peças precisam ser refeitas.

Para entender melhor esse cenário, analisamos 31.803 solicitações de materiais de marketing de mais de 53 marcas clientes da Deskfy, entre janeiro e junho de 2026. Desse total, 5.470 precisaram de ajustes ou correções após a primeira entrega, o equivalente a uma taxa de refação de 17,2%.

Os dados mostram diferenças importantes entre empresas e setores. Também revelam que o volume de produção, sozinho, não explica a frequência com que as peças precisam ser refeitas.

Ao longo do artigo, vamos explorar o que esses números mostram sobre o retrabalho e o que vale observar nos processos de marketing.

O retrabalho não acontece na mesma proporção em todas as empresas

A taxa de refação de 17,2% representa o conjunto das solicitações analisadas. Quando observamos os resultados de cada empresa, porém, encontramos cenários bem diferentes.

Na pesquisa, 28,8% das empresas apresentaram uma taxa de refação abaixo de 10%. A maior parcela, 38,5%, ficou entre 10% e 20%. Na outra ponta, 17,3% registraram taxas acima de 30%, enquanto 5,8% precisaram refazer mais da metade dos materiais produzidos.

Isso significa que o retrabalho no marketing pode ocupar espaços muito diferentes na rotina de cada equipe. Para algumas operações, os ajustes representam uma parcela menor das entregas. Para outras, uma parte considerável do trabalho precisa voltar para revisão.

Qual a taxa de refação das equipes de marketing?

A mediana da taxa de refação entre as empresas analisadas foi de 13,1%. Isso significa que metade das empresas ficou abaixo desse percentual e metade ficou acima.

Esse número oferece uma referência para entender como uma operação se posiciona em relação às empresas da amostra. Não é uma meta universal, já que o contexto, o setor e os processos de cada negócio influenciam os resultados.

Acompanhar a própria taxa ao longo do tempo também ajuda a identificar mudanças. Se o percentual aumenta, vale investigar o que aconteceu naquele período: houve mudanças nas demandas, nos briefings, nas aprovações ou no tipo de material produzido?

O indicador não explica sozinho a causa do retrabalho, mas ajuda a perceber quando existe algo que merece uma análise mais cuidadosa.

Quanto tempo o retrabalho no marketing consome?

A quantidade de peças que volta para ajustes é apenas uma parte do problema. O tempo que cada solicitação leva para ser concluída também influencia o ritmo da operação.

Na base analisada pela Deskfy, metade das solicitações de ajuste foi resolvida em até 3,5 horas. Já o tempo médio chegou a 69 horas, equivalente a aproximadamente nove dias úteis, durante o mês.

A diferença entre os dois números é de se chamar atenção. Enquanto muitas solicitações são resolvidas em poucas horas, outras permanecem abertas por períodos bem maiores.

Isso não significa necessariamente que uma equipe passou nove dias trabalhando na mesma peça. O tempo total também pode incluir períodos de espera por informações, validações e aprovações.

Imagine uma peça que precisa de uma alteração simples, mas depende da resposta de outra área para seguir. Mesmo que a correção leve poucos minutos, a solicitação pode continuar parada até que alguém retome o assunto.

Quando isso acontece em várias demandas, a equipe precisa acompanhar pendências, reorganizar entregas e lidar com materiais que ainda não podem avançar.

Por isso, analisar o retrabalho apenas pela quantidade de ajustes deixa uma parte importante de fora. O tempo de resolução também ajuda a entender onde o fluxo de trabalho perde velocidade.

Educação e turismo têm as maiores taxas de refação

O setor de atuação também faz diferença. Considerando os segmentos com pelo menos três marcas ativas na base analisada, educação, hotelaria e turismo apresentaram as maiores taxas de refação.

SetorTaxa de Refação
Educação29,9%
Hotelaria e turismo23,8%
Agências e consultorias15,4%
Fintechs11,8%
Vestuário e calçados9,9%
Combustíveis6,4%

Na educação, os materiais podem depender de informações que exigem conferência rigorosa, como datas, regras regulatórias e orientações acadêmicas. Uma informação incorreta pode comprometer a comunicação e exigir uma nova versão.

Em hotelaria e turismo, o contexto é diferente. Tarifas, preços e condições promocionais podem mudar rapidamente. Quando essas alterações acontecem depois que a peça já foi produzida, o material pode precisar voltar para ajustes.

Essas particularidades ajudam a contextualizar os resultados, mas não comprovam, por si só, a causa das taxas de cada setor. A pesquisa mostra onde a refação é mais frequente; entender os motivos em cada empresa exige observar também seus processos.

Essa distinção importa porque comparar percentuais sem considerar as características de cada operação pode levar a conclusões equivocadas.

Mais materiais significa ter mais retrabalho no marketing?

Uma equipe com mais solicitações tem mais peças para produzir, revisar e entregar. Por isso, seria natural imaginar que um volume maior de produção também estivesse associado a uma taxa de refação mais alta.

Mas os dados da pesquisa não mostram essa relação.

A correlação entre o volume de solicitações e a taxa de refação foi de -0,05, um resultado praticamente nulo. Na prática, não foi encontrada uma relação relevante entre produzir mais materiais e apresentar uma proporção maior de peças que precisam de ajustes.

Isso significa que reduzir o volume de entregas não é uma resposta para o retrabalho. Uma operação com muitas demandas pode ter uma taxa de refação baixa, enquanto outra, com menos solicitações, pode precisar revisar uma parcela maior dos materiais.

O resultado também muda a forma de investigar o problema. Em vez de olhar apenas para a quantidade de peças produzidas, vale observar como as solicitações chegam, quais informações estão disponíveis desde o início, como acontecem as revisões e quem participa das aprovações.

Como construir uma rotina de marketing mais saudável?

Não existe uma única fórmula para evitar o burnout. Mas existe uma pergunta que pode ajudar qualquer equipe de marketing a começar:

O que estamos fazendo hoje que poderia ser mais simples?

Pequenas mudanças na operação podem liberar tempo e energia para o que realmente precisa da atenção do time. Por isso, uma rotina de marketing mais saudável começa muito antes do momento em que alguém decide fazer uma pausa.

Ela começa no planejamento, passa pelos processos, depende das ferramentas, exige prioridades claras, e também precisa de limites.

No marketing, cuidar das pessoas e cuidar da operação não precisam ser assuntos separados.Quando processos, prioridades e ferramentas estão bem organizados, o time ganha mais espaço para estratégia, criatividade e uma rotina mais sustentável no longo prazo.

Briefings que deixam dúvidas

Quando uma solicitação chega sem informações suficientes, a equipe precisa buscar respostas durante a produção. O que parecia simples no início pode se transformar em uma sequência de perguntas, mudanças de direção e novas versões.

Um briefing claro ajuda a alinhar o objetivo da peça, o público, as informações obrigatórias, antes que a criação comece.

Diretrizes de marca pouco claras

Em empresas com várias unidades, franquias ou equipes envolvidas na produção, manter a consistência da marca exige que as orientações estejam acessíveis e sejam fáceis de consultar.

Quando cada pessoa precisa procurar arquivos antigos ou descobrir qual versão de um material está atualizada, aumentam as chances de inconsistências e correções posteriores.

Etapas de aprovação mal definidas

Se não está claro quem precisa revisar uma peça, quem pode solicitar mudanças e quem dá a aprovação final, o material pode circular entre diferentes pessoas sem avançar.

Ter etapas de revisão não é o problema. Elas são importantes para garantir a qualidade das entregas. A dificuldade aparece quando faltam critérios claros, responsáveis definidos ou informações para que cada pessoa consiga avaliar o material.

Esses exemplos ajudam as equipes a investigar o próprio processo e identificar onde podem estar os gargalos.

Como avaliar o retrabalho na sua operação de marketing?

Para avaliar a própria operação, vale acompanhar mais de um indicador. A taxa de refação ajuda a entender quantas solicitações precisam de ajustes; o tempo de resolução mostra quanto tempo elas levam para ser concluídas.

Esses números ganham mais valor quando analisados junto do contexto de cada demanda. Quais tipos de material voltam mais para revisão? Em que etapa as solicitações ficam paradas? As mudanças acontecem porque surgiram novas decisões ou porque informações importantes não estavam disponíveis desde o início?

As respostas ajudam a separar situações diferentes que, olhando apenas para a quantidade de peças refeitas, podem parecer iguais.

Também é importante lembrar que uma taxa baixa não garante, sozinha, uma operação eficiente. Se não existem revisões adequadas, erros podem passar despercebidos e chegar ao público. O objetivo não deve ser eliminar toda alteração. Mas, entender quais ajustes são necessários e quais poderiam ser evitados com um processo mais claro.

O retrabalho é um indicador que precisa ser interpretado, não apenas reduzido. Quando a equipe entende o que está por trás dos números, consegue tomar decisões mais fundamentadas sobre seus fluxos de trabalho, suas aprovações e a organização das demandas.

Para aprofundar o tema, confira também nosso conteúdo com dicas para evitar o retrabalho no marketing.